(Clique na imagem para ampliar)












Um Zezinho que não deu para ser anônimo.
Há mais ou menos 35 anos atrás quando ainda jovem dirigente de grupos de jovens, num encontro num ginásio de esportes na cidade de Jundiaí, entrou um jovem sacerdote com violão na mão, faço questão de recordar o violão, pois era uma novidade em termos de Igreja, cantando: “Um certo dia a beira mar apareceu um jovem Galileu” .
Aquela visão mexeu comigo, como tenho certeza, mexeu com o coração de muitos jovens, dentre os quais muitos abraçaram a vida sacerdotal.
Aquele jovem sacerdote, cantando: “Alô meu Deus fazia tanto tempo que eu não mais te procurava”... Sem perceber estava sendo responsável por uma revolução que mudaria o rosto da música litúrgica e da música católica em geral.
Aquele jovem sacerdote, cantando: “Pra não ferir ninguém eu vim te procurar”... Estava, sem querer, fazendo que uma nova época chegasse para os músicos católicos e para a Igreja do Brasil.
Suas canções, se surpreendam, passam de 1700, já foram gravadas em vários idiomas e atingiram vários países da Europa e América Latina.
Se destaca igualmente, como grande escritor e seus livros, acima de 80 publicações, sempre catequéticos e formadores.
Imaginem a minha alegria e emoção , quando passado alguns anos tomei a decisão de ser Padre e na minha primeira aula de Teologia da Comunicação, aquele jovem sacerdote, de anos atrás, entrou na sala de aula e disse: “EU SOU O NOVO - PROFESSOR DE VOCÊS”. SER O NOVO É SER O DIFERENTE DO QUE VEIO ANTES E SER A POSSIBILIDADE DE ALGO BOM ACONTECER VIDA DE ALGUÉM. Este NOVO tornou-se exatamente isto. Fez a diferença na minha vida e na vida daqueles jovens estudantes que se preparavam para o ministério sacerdotal...
E por aí adiante aquele sacerdote que reza: “Mãe do Céu Morena, Senhora da América Latina”, que fala da família de um jeito singular: “Das muitas coisas do meu tempo de criança”... Que faz qualquer criança cantar: “Um dia uma criança me parou, olhou nos meus olhos e a sorrir”, que teve a ousadia dizer: “Maria que fez o Cristo falar, Maria que fez Jesus caminhar”... Que deu um grito de vida à Amazônia, e se autodenomina: “Ave pequenina”, quis ser apenas um Zezinho!
Mas seus muitos talentos, suas canções proféticas, sua poesia suave e felina, sua voz macia e penetrante, seu olhar forte, dominador e ao mesmo tempo doce e sereno, seus escritos e sua musicalidade, fizeram e fazem dele um Padre Zezinho, conhecido e amado e por todos.
Não deu para ficar no anonimato aquele Zezinho que Deus chamou e determinou que fosse luz para os povos e voz daqueles que sofrem.
Não deu para ficar debaixo da mesa este Candelabro que o Senhor erigiu para conduzir através das canções a musicalidade da sua Igreja.
Não deu para calar a voz deste profeta que hoje nós homenageamos por completar a idade da perfeição: 70 anos de VIDA e 45 anos de música.
Falo em nome do clero, falo em nome dos padres cantores que evangelizam através da música, falo em nome dos músicos católicos do Brasil, falo em nome da juventude católica.
José Fernandes de Oliveira receba hoje a singela homenagem dos jovens cantores que querem trilhar o seu caminho.
Padre Hewaldo Trevisan
www.amigosdafe.com.br
(texto lido por ocasião da Homenagem ao Pe. Zezinho no Teatro Grande Otelo SP em 13/10/2011).
Fotos: www.portalcatolico.org.br